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Quinta de Cima


Trata-se de um dos "ex-libris" desta Freguesia, um espaço idílico, cuja história remonta ao começo da Nacionalidade e se funde, frequentemente, com a da povoação a que pertence. Começou por ser propriedade reguenga, até que D. Afonso III, no ano de 1258, dele fez doação, em dote de casamento, a D. Constança Gil, dama de companhia da Rainha D. Beatriz. Esta doou-a, mais tarde, a seu sobrinho D. Martim Gil de Sousa, Conde de Barcelos.

Por testamento de 23 de Novembro de 1312, o Conde deixou-a, juntamente com outros bens, ao Mosteiro de Santo Tirso, para a construção de uma nova e esplendorosa Igreja. O acto benemérito da sua esposa mereceu que os monges, em 1529, os juntassem no mesmo túmulo e lhes dessem o lugar de maior honra, o lado do Evangelho da Capela-Mor do novo Templo. No entanto, não foi na Quinta de Cima que aquele se erigiu, porque se situava muito longe de Santo Tirso e os monges preferiram trocar esta propriedade por outras terras. Assim, D. João Afonso, genro do Rei D. Dinis tomou-se dono da Quinta. Segundo se conta, neste período, ou mais concretamente entre 1372 e 1373, ali viveram algum tempo a Rei D. Fernando e O. Leonor de Teles, com quem casara secretamente, contra a vontade do povo.

Em 4 de Junho de 1451, a Quinta saiu novamente da posse da Família Real, por doação de D. Afonso V a D. Pedro de Meneses, 3.° Conde de Vila Real, e 1.º Marquês de Vila Real, Durante várias gerações permaneceu naquela poderosa família, até que D. Luís de Meneses 9.° Conde e 7.° Marquês de Vila Real, e 7.° e último Senhor da Quinta de Cima e das Cinco Vilas, caiu em desgraça, por conspirar contra a vida de D. João IV. Condenado à pena máxima, foi degolado no dia 29 de Agosto de 1641, juntamente com seu filho, D. Miguel Luís de Meneses, 2.º Duque de Caminha, que embora não tivesse participado da conjura, dela teve conhecimento e guardou segredo. Os bens da Casa de Vila Real foram confiscados pela Coroa que, com eles, fundou, em 1654, a Casa de Infantado, para sustento dos infantes secundogénitos (neste caso, do Infante D. Pedro), com os mesmos privilégios e isenções que a Casa de Bragança, pertença do primogénito e futuro Rei. A partir daquela data, a Quinta de Cima e as Cinco Vilas (bem como muitos outros bens) pertenceram por inteiro aos segundos filhos da real nacional.

Com a extinção da Casa do Infantado, em 1834, D. Pedra IV concedeu a Quinta de Cima ao Sargento-Mor das Antigas Ordenanças das Cinco Vilas e Cavaleiro da Ordem de Cristo, António Lopes de Rege. Assim, a Quinta entrou na posse da importante família Lopes do Rego, no seio de qual permanece até hoje. Após o recente falecimento do Engenheiro Alfredo Rego Barata, D. Maria Eduarda de Rolin de Seabra Pereira Barata, sua viúva, mantém, na Quinta de Cima, a sua residência.
Um dos períodos áureos da Quinta de Cima e da freguesia de Chão de Couce decorreu quando, naquela, habitaram os seus proprietários, Ler. Alberto Rego e Sra. D. Elvíra. Resumindo a vivência cultural de que a casa foi palco, o Professor da Casa. Pia de Lisboa, de visita a Chão de Couce, proferiu uma conferência sobre o "Cristianismo Integral”, em que afirmava: "a Quinta de Cima é bem a corte da Vila".

Efectivamente, ali se sucediam os saraus musicais e artísticos, sempre de elevado nível, que contaram com a presença dos mais insignes artistas nacionais. As conferências eram também uma constante, forma quase única de colmatar a ausência de centros culturais, trazendo a debate temas muito pertinentes e de extrema importância para aquela época.

Nomes sonantes da Música (Ferrando Cabral, Helena, Moreira de Sá e Costa e sua irmã, Madalena Moreira de Sã e Costa, Elisa Baptista de Sousa Pedroso, Rui Coelho, Sílvia Leão, Maria Carlota Tinoco, António Lima, Henri Mouton, Engenheiro Carlos de Beires Fernandes, António Menano, Maria Amélia Duarte de Almeida e Maestro Fernando Lopes Graça), da Pintura (José Malhoa, Carlos Reis, João Reis e Domingos Rebelo), da Ciência (Professor Egas Moniz, primeiro Prémio Nobel português e o Dr. Eduardo Coelho), das Letras (Afonso Lopes Vieira, Domitilia de Carvalho, Hernâni Monteiro, Maria Amália Vaz de Carvalho e Raul Proença) e da Igreja (Padre Américo).

Última atualização: 16-01-2026

Informações


Localidade: Chão de Couce

Localização (Lat., Lon.): 39.89278, -8.376657

Localização


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