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Caracterização


A freguesia de Chão de Couce situa-se na parte sudeste do concelho de Ansião, enformada entre as seguintes freguesias: a norte, Cumieira, do concelho de Penela, e Lagarteíra, do concelho de Ansião; a oeste, a sede concelhia, Ansião; a sul e sudoeste, Pousaflores; a este, a conterrânea Avelar e a fregueses da Aguda, de concelho de Fígueiró dos Vinhos; e a sudeste, Maças de D. Maria, do concelho de Alvaiázere.

As serras que pertencem à Freguesia, na totalidade ou em parte, são a Serra da Nexebra, localizada a sul (com 473 m); a Serra da Mata, a sudoeste (422 m); a Serra da Ameixieira, a oeste, com vários cumes (perto do Casal Soeiro atinge os 492 m, acima do lugar da Ameixieira, os 445 m, e perto do lugar da Serra do Mouro, os 407 m); e a, noroeste, a Serra dos Carrascos, também conhecida como Serra dos Carvalhos (com 349 m).

Do lado nascente destas serras, espraia-se uma longa e fértil planura, a Baixa de Chão de Couce, cortada quase a meio pela antiga Estrada Nacional 110, que a percorre no sentido Sul-Norte; e atravessada, na parte Norte, pelo Itinerário Complementar 8, no sentido Oeste-Este.

Embora de pequeno caudal, porque nascem ali perto, nas dobras das serras, várias são as linhas de água que atravessam a várzea de Chão de Couce, sendo de destacar os Ribeiros da Serra do Mouro (também chamado da Amieira) e de Chão de Couce.

A Freguesia engloba, na zona da Serra, os lugares de Alqueidão, Ameixieira, Casal Soeiro, Furadouro, Lagoa, Maxial (parte de Chão de Couce), Ribeirinho, Serra, Serradinhos e Serra do Mouro.

Na Baixa de Chão de Couce, encontram-se os lugares de Amieira, Bacelinhos, Barroca, Cabecinho, Casal de Baixo, Chão de Couce, Câmaras, Corga, Fonte, Eiras, Espinheira, Galegas, Lameiras, Moita, Outeiro da Mó, Pedra do Ouro, Pinheiro, Poeiro, Pombais, Pontão, Pente do Freixo, Portelanos, Quinta de Baixo, Quinta de Cima, Ramalha, Relvas, Salgueiral, Serrada da Mata, Tojeira, Trás da Vinha, Venda Nova (parte de Chão de Couce) e Vila Pouca.

 

Economia

As principais actividades económicas da freguesia de Chão de Couce são: agricultura, extracção de pedra, indústria de madeira de mármore, de sinalização vertical, de alumínios, gráfica e serralharia, comércio e serviços.

A situação actual, no que respeita ao comércio, ocupando nesta actividade cerca de um terço da população activa, evidência um maior dinamismo, a que não é estranho o facto da Zona Industrial de Ansião se situar no Camponês, totalmente dentro da freguesia de Chão de Couce.

Num passado distante a actividade comercial era bastante restrita em Chão de Couce, limitava-se aos dias das romarias, a um ou outro estabelecimento comercial na vila e numa ou noutra aldeia mais populosa.
A produção excedentária era vendida pelos próprios nas "praças" de Ansião ou Avelar, nos dias de mercados e feiras, ou a comerciantes ambulantes que passavam nas aldeias à procura do que havia para vender, quer da produção agrícola quer da pecuária.

Em meados do século XIX, o Secretário do Governo Civil de Leiria, D. António de Sousa Macedo, referindo-se à ocupação da população activa, indica os seguintes números para o pessoal do comércio, em todo o concelho de Chão de Couce: 1 contratador de gado cavalar; 1 estalajadeiro; 4 donos ou sócios de mercearias; 5 caixeiros e marçanos; 8 padeiras; 16 taberneiros e 1 tendeiro. Trata-se de um número bastante baixo, com a agravante da sua maioria estar afecta à vila do Avelar.

Um dos produtos da pecuária, para além dos próprios animais, dos ovos e do queijo, era a lã, que normalmente era comercializada pelas portas. No tempo da Primeira Guerra Mundial, houve uma certa restrição às suas exportações pela dificuldade do seu transporte. Mal a Guerra terminou, o Padre Manuel Mendes Gaspar, Pároco de Chão de Couce e Presidente da Comissão Administrativa Municipal de Ansião, enviou uma representação ao Governo a pedir que fosse decretada a livre exportação e comércio externo das lãs, dada a situação aflitiva por que passava a indústria e comércio das lãs no concelho (cf. O Figueiroense, de 21.12.1918, p. 2). Esta atitude mereceu a concordância de muita gente. A propósito, escreve O Figueiroense refere o seguinte: «É uma atitude que merece todo o nosso aplauso e a que o governo deve attender com a urgência que o caso reclama para evitar que mais se aggrave esta medonha crise por que passa a industria e o commercio das lãs evidentemente provocada pela súbita terminação da guerra e pela impossibilidade em que se encontram os actuaes detentores de lã de a poderem negociar com os commerciantes estrangeiros». O mesmo jornal, na edição seguinte (28.12.1918, p. 1), já apresenta a reacção do governo: «O governo, no proposito certamente de atenuar tanto quanto possível a terrivel crise por que passa o commercio das lãs no nosso paiz, determinou o seu manifesto obrigatorio para todos aqueles que no dia 21 do corrente tivessem em seu poder qualquer porção de lã. /Esse manifesto é feito por meio de declarações entregues, até ao fim deste mel aos regedores das freguesias a que pertençam os detentores e as suas quantidades serão determinadas em quilogramas, devendo os detentores, que forem industriaes, declarar se a lã que possuem é destinada ao seu fabrico, e satisfaz ou não as necessidades».

Enquanto não houve feiras ou mercados regulares em Chão de Couce, os seus moradores deslocavam-se às vilas mais próximas, com um maior desenvolvimento comercial, Avelar e Ansião. A primeira Feira Mensal criada em Chão de Couce, só o foi já no decurso do século XX, mais concretamente em 1909, pelo Padre Manuel Mendes Gaspar, que era, ao tempo, o Presidente da Câmara de Ansião.

Dez anos mais tarde, realizaram-se, temporariamente, dois mercados na freguesia de Chão de Couce, um na sede da freguesia, outro na Pedra do Ouro. Foi depois da expulsão do Padre Manuel Pedro Sousa Ribeiro (Abril de 1919), da Paróquia de Ansião. Como o referido Padre era natural da Pedra do Ouro, muitos dos seus antigos paroquianos visitavam-no regularmente naquela localidade, e aproveitavam a deslocação para fazerem aí as suas compras que habitualmente faziam em Ansião. Na sede do concelho o comércio começava a definhar, enquanto aqui se desenvolvia cada vez mais. É o que informa o jornal de Lisboa, A Época (de 10.5.1919, p. 2), onde a certa altura se escreve o seguinte: «Em compensação o comércio da freguezia de Chão de Couce, onde reside o parocho de Ancião, tem feito excelente negocio, e naquela freguezia tem-se realizado todos os domingos dois excelentes mercados: um na Pedra do Ouro, perto da casa do parocho de Ancião e outro no largo da igreja matriz daquela freguezia».

Entretanto, a Feira Mensal criada em 1909 mantinha-se e realizar-se-ia ainda durante muitos anos, e com grande afluência de povo. Mas, a partir de certa altura, foi esmorecendo e acabou por se extinguir. No entanto, no dia 19 de Outubro de 1941, 3.º domingo do mês, foi restaurada, graças ao empenho de uma Comissão de Moradores da vila.

A Regeneração, de 8 de Novembro de 1941, traz a notícia, onde a dado momento, se lê o seguinte: «Esse dia de feira ficou recordado por todos, pois que foram numerosíssimas as transacções tanto em gados, como em fazendas, ourivesaria, quinquilharia, louças, cereais, hortaliças, aves, ovos, etc., tendo todos os negociantes saído com as melhores impressões, dadas as providências que a Comissão tinha tomado para que nada faltasse, como alojamentos, pensões, madeiras para armações e dispositivo da feira, pois tudo foi disposto em lugares apropriados, dando ao local da feira, que é o grande terreno do adro, um aspecto deveras interessante. / Já estão a ser distribuídos os programas para a próxima feira que se realiza no 3.º domingo de Novembro (dia 16) tendo a Comissão a esperança de que esta seja ainda melhor do que a anterior».

Esta Feira Mensal que se realizava no 3. Domingo de cada mês, passou a fazer-se ao 3.º Sábado, a partir do Verão de 1948, mais concretamente a partir do dia 17 de Julho desse ano. Essa alteração foi comunicada ao Presidente da Câmara de Ansião, pelo Presidente da Junta de Freguesia de Chão de Couce, José Augusto Lopes do Rego, em carta datada de 15 de Junho de 1948, cujo conteúdo era o seguinte: «Em resposta ao ofício de V. Ex., n. 680 de 12 do corrente, cumpre-me informar que, ouvida a opinião de várias pessoas que me pareceram idóneas, foi resolvido que a feira mensal nesta freguesia se realize no terceiro sábado de cada mês». A referida mudança parece ter produzido bons resultados, segundo noticia O Mensageiro (de 29 de Julho de 1948, p. 3): «Realizou-se no passado dia 17 nesta vila a Feira Mensal que agora passou a efectuar-se nos 3.os sábados de cada mês. / Contra a espectativa de todos esta feira não só não teve menos concorrência que as efectuadas aos domingos como até as sobrelevou sensivelmente em tudo, principalmente no número de transacções feitas./ O povo desta localidade mostra-se por isso bastante satisfeito com o facto».

No período da Primeira República, embora não se saiba ao certo quantos comerciantes existiam na freguesia, o Livro de Actas da Câmara de Ansião, referente ao ano de 1923 (fls. 46 e 46v.), quando menciona os nomes dos cidadãos que fazem parte das Comissões nomeadas de acordo com o decreto 8.830 de 16 de Maio de 1923, indica os seguintes para a freguesia de Chão de Couce: comerciantes a retalho — João Pedro de Sousa e José Men-des Lima; indústria fabril — Dr. José Alexandrino Craveiro Feio e João Gaspar; indústria não fabril — Manuel Simões da Silva Rosas e Alberto Simões Santo. É evidente que se trata apenas de comissões representativas desses sectores de actividade, e não da listagem das pessoas que exercem essa actividade.

O Jornal O Cavador, que se publicou nos anos de 1911 e 1912, é neste aspecto omisso, apenas publica dois anúncios referentes a Chão de Couce: um do médico Dr. António Cânova, colaborador do jornal; outro de António Fernandes de Sousa Ribeiro, administra-dor do jornal. O primeiro anúncio diz o seguinte: «Consultorio em Chão de Couce / DR. ANTONIO CANO VAS / Medico pela Universidade de Coimbra/ consultas/ e/ chamadas a toda a hora»; o segundo, tem o seguinte texto: «Antonio Fernandes de Sousa Ribeiro / Correspondente de varios bancos nacionaes e estrangeiros/ Pedra do Ouro, CHÃO DO COUCE / Estabelecimento Comercial, Mercearia, Tabacos, Fazendas, Ferro em barra. Ferragens e grande deposito de adubos quimicos / formulas especiais para adubações adequadas à cultura e à natureza da terra /Agentes das motocyclettes F. N.»

Ainda durante a Primeira República, surgiu uma nova experiência na distribuição de bens de consumo — uma Cooperativa. Apesar do escasso espírito associativo que se reco¬nhecia entre a comunidade ansianense, sobretudo após a falhada tentativa de sindicalismo agrícola (primeira década do século XX), alguns notáveis do concelho, entre os quais várias personalidades de Chão de Couce, constituíram uma COOPERATIVA DE CONSUMO no concelho de Ansião, que teve como primeiro Presidente da Direcção, uma figura ligada intimamente a Chão de Couce — o Dr. Joaquim Cânova. Essa cooperativa foi uma das 338 fundadas em todo o país durante a Primeira República. Os seus primeiros Corpos Gerentes tiveram a seguinte constituição: Direcção — Dr. Joaquim Cânova (Presidente), Francisco Augusto de Sousa (Secretário) e Prof. José Maria Vaz; Conselho Fiscal — Alberto Mendes Lima (Presidente), P.e Manuel Pedro Sousa Ribeiro e António Rodrigues Raposo; Assembleia Geral — Dr. Adriano Rego (Presidente) e José Maria Coutinho (Secretário). As testemunhas da escritura foram os Padres António Rodrigues Bartolomeu e Abílio Fernandes de Sousa Ribeiro. Outros sócios fundadores desta Cooperativa foram o Dr. Botelho de Queirós, António Crisóstomo dos Santos e Henrique da Costa Ribeiro.

Na década de 1930, o jornal Novo Horizonte anuncia como os maiores comerciantes da freguesia de Chão de Couce, desse tempo, os seguintes: Alberto Medeiros, António Fernandes de Sousa Ribeiro, Francisco Gomes da Silva, João Pedro de Sousa e Manuel Florindo Júnior.

Já muito próximo do nosso tempo foi inaugurado o Mercado de Chão de Couce e surgiram alguns eventos de carácter comercial e promocional desta freguesia, de que são exemplos as Feiras de Gastronomia e a Mostra de Actividades Económicas e Artesanato.

O Mercado de Chão de Couce foi inaugurado no dia 8 de Agosto de 1993, com a presença do Presidente da Junta de Freguesia, o Presidente da Câmara de Ansião e de Frei Acílio que benzeu as novas instalações. Embora não se trate de uma obra grandiosa, ela permitiu que, a partir de então, compradores e vendedores passassem a desfrutar de melhores condições de higiene. O Mercado fica próximo da Igreja de Chão de Couce, e foi edificado em terreno oferecido para o efeito por Alberto António.

A situação actual, no que respeita ao comércio, ocupando nesta actividade cerca de um terço da população activa, evidencia um maior dinamismo, a que não é estranho o facto da Zona Industrial de Ansião se situar no Camporês, totalmente dentro da freguesia de Chão de Couce.

Para satisfazer a sede de cultura dos seus visitantes, esta Freguesia oferece o seu património histórico, cultural e natural, fruto do esforço colectivo de gerações sucessivas, de que se destacam os seguintes pontos de interesse:

 

Igreja Paroquial

Na sede da Freguesia, situa-se o Templo Paroquial que tem Nossa Senhora da Conceição como Padroeira.

Segundo as Memorias Paroquiais de 1758, o antigo Templo possuía quatro altares: o primeiro pertence a Padroeira, com imagem e Quadro, o segundo, colateral do lado esquerdo, apresentava um Cristo Crucificado e as imagens de São Luís, São Sebastião, Santa Catarina e São Raimundo; o terceiro, do lado contrário, com o Divino Espírito Santo, São Brás, São Caetano e o Painel das Almas; e o quarto, também de lado direito, dedicado a Nossa Senhora das Neves.

A Igreja actual foi construída durante o tempo em que e Padre Manuel Mendes Gaspar paroquia Chão de Couce, com o esforço de toda a população local e a ajuda inolvidável de ilustres visitantes da Quinta de Cima. O belo Templo guarda religiosamente um verdadeiro tesouro artístico, o Retábulo de Altar Mor, última obra de José Malhoa (oferecida pelo Mestre, que passava grandes temporadas hospedado na referida Quinta), que impressiona pelo realismo dos seus figurantes e da própria Nossa Senhora, colocados num ambiente mística que parece unir a Terra ao Céu.

Depois da bênção da nova Igreja, em finais de 1939, os leigos mais jovens, de ambos os sexos, deram um bom exemplo da sua Fé, iniciando novos cultos na Matriz de Chão de Couce. Assim, em Maio de 1931, as raparigas, dirigidas pela Professora Maria Lusa Rego, adquiriram uma Imagem de Santa Teresinha do Menino Jesus, que foi benzida e conduzida processionalmente até ao Templo. Dois meses mais tarde, os rapazes solteiros da Paróquia compraram uma Imagem de Beato Nuno (trata-se do Condestável D. Nuno Álvares Pereira, beatificado pela Santa Sé em 23 de Janeiro de 1919), igualmente benzida e conduzida à Igreja.

O Templo preservou, durante cerca de duas décadas, a antiga Torre, que havia sido projectada pelo Dr. Augusto da Cesta Rego e se situava no lado oposto àquele em que se encontra a actual (construída na década de 1950, graças à generosidade do Comendador Alberto Mendes Rosa).

Merecem destaque, para além das muitas imagens que ocupam os seus altares, os azulejos da nave, capela-mor e fachada principal, da autoria de Mário Reis (ceramista, discípulo de Columbano).
Entre 1993 e 1995, a Igreja foi beneficiada coma construção de um Salão para reuniões; o arranjo da Sacristia, no lado poente; e, no lado oposto, a criação de três salas de catequese; a adaptação de um espaço para Capela Funerária; e a substituição dos telhados, pintura exterior e relógio.

Em 2000, as paredes interiores foram pintadas de novo; os tectos e os soalhos substituídos por madeira exótica; os bancos restaurados; feita nova instalação sonora e eléctrica; restaurados os altares; e as talhas melhoradas com pinturas e douramentos a cargo da prestigiada casa de arte religiosa da cidade de Braga, obras inauguradas no dia 22 de Junho, pelo então Bispo-Coadjutor de Coimbra, D. Albina Cleto.

 

Construção do Centro Pastoral em Chão de Couce

Foi escolhida a localidade de Chão de Couce para a sua construção, por se considerar a mais central de toda a região. O terreno para construção do Centro Pastoral, com uma área de 4 mil metros quadrados, foi adquirido em 1982, no lugar da Mó, nas abas da Serra da Nexebra, a cerca de 500 metros da Igreja Paroquial de Chão de Couce.
O projeto do Centro Pastoral da região sul foi elaborado pelo Arquitecto Fernando Medeiros Gaspar, na cidade de Santos (Brasil), como se sabe geminada com Ansião, e oferecido pela empresa de construção "Miramar. Foi inspirado na Costa Diocesana daquela Diocese – CEFAS (Centro de Espiratualidade e Formação Apostólica de Santos) – que vigário Episcopal desta Região visitou em Maio de1983. Os cálculos e a direcção técnica da obra foi oferta do Eng.º Adriano Marques, de Chão de Couce. Em menos de 4 anos, graças ao empenhamento do Sr. Padre Adriano que soube congregar apoios e ultrapassar imensas dificuldades, a obra estava de pé. O novo edificio ocupa cerca de 700 m2, em área coberta, tendo o total de 1320 m2 de construção, e o seu custo ultrapassou os 20 mil contos. Inclui capela, amplo salão, com divisórias para salas, hall, gabinete de recepção, sala de bar, cozinha, despensa, lavandaria, refeitório, resdência para vigário Episcopal, residência para religiosas, alguns quartos e 3 camaratas.

A direcção e a Administração do Centro pertencem ao Vigário Episcopal, antigo padre Manuel da Silva Martins.

 

Capelas

Têm Capela, os lugares do Alqueidão, dedicada a Nossa Senhora da Nazaré; Ameixieira, que tem por orago, Nossa Senhora do Rosário; Casal Soeiro, da invocação de São Francisco; e Serra de Mouro, dedicada a Santo António; bem como Pedra do Ouro, da invocarão de São Jorge; e a Quinta de Cima (Capela Privativa), dedicada a Nossa Senhora do Rosário.

 

Alminhas

Estes pequenos e singelos monumentos erguidos pela devoção e piedade religiosas abundam na Freguesia, podendo citar-se os da Ponte de Freixo, de Vila Pouca, das Relvas, da Amieira, da Tojeira, dos Moutinhos, da Freixieira, do Casal Soeiro, da Lagoa da Ameixieira, de Trás da Vinha de Alqueidão, da Ameixieira e da Cruz das Unas na Serra do Moura.

 

Quinta de Cima

Trata-se de um dos "ex-libris" desta Freguesia, um espaço idílico, cuja história remonta ao começo da Nacionalidade e se funde, frequentemente, com a da povoação a que pertence. Começou por ser propriedade reguenga, até que D. Afonso III, no ano de 1258, dele fez doação, em dote de casamento, a D. Constança Gil, dama de companhia da Rainha D. Beatriz. Esta doou-a, mais tarde, a seu sobrinho D. Martim Gil de Sousa, Conde de Barcelos.

Por testamento de 23 de Novembro de 1312, o Conde deixou-a, juntamente com outros bens, ao Mosteiro de Santo Tirso, para a construção de uma nova e esplendorosa Igreja. O acto benemérito da sua esposa mereceu que os monges, em 1529, os juntassem no mesmo túmulo e lhes dessem o lugar de maior honra, o lado do Evangelho da Capela-Mor do novo Templo. No entanto, não foi na Quinta de Cima que aquele se erigiu, porque se situava muito longe de Santo Tirso e os monges preferiram trocar esta propriedade por outras terras. Assim, D. João Afonso, genro do Rei D. Dinis tomou-se dono da Quinta. Segundo se conta, neste período, ou mais concretamente entre 1372 e 1373, ali viveram algum tempo a Rei D. Fernando e O. Leonor de Teles, com quem casara secretamente, contra a vontade do povo.

Em 4 de Junho de 1451, a Quinta saiu novamente da posse da Família Real, por doação de D. Afonso V a D. Pedro de Meneses, 3.° Conde de Vila Real, e 1.º Marquês de Vila Real, Durante várias gerações permaneceu naquela poderosa família, até que D. Luís de Meneses 9.° Conde e 7.° Marquês de Vila Real, e 7.° e último Senhor da Quinta de Cima e das Cinco Vilas, caiu em desgraça, por conspirar contra a vida de D. João IV. Condenado à pena máxima, foi degolado no dia 29 de Agosto de 1641, juntamente com seu filho, D. Miguel Luís de Meneses, 2.º Duque de Caminha, que embora não tivesse participado da conjura, dela teve conhecimento e guardou segredo. Os bens da Casa de Vila Real foram confiscados pela Coroa que, com eles, fundou, em 1654, a Casa de Infantado, para sustento dos infantes secundogénitos (neste caso, do Infante D. Pedro), com os mesmos privilégios e isenções que a Casa de Bragança, pertença do primogénito e futuro Rei. A partir daquela data, a Quinta de Cima e as Cinco Vilas (bem como muitos outros bens) pertenceram por inteiro aos segundos filhos da real nacional.

Com a extinção da Casa do Infantado, em 1834, D. Pedra IV concedeu a Quinta de Cima ao Sargento-Mor das Antigas Ordenanças das Cinco Vilas e Cavaleiro da Ordem de Cristo, António Lopes de Rege. Assim, a Quinta entrou na posse da importante família Lopes do Rego, no seio de qual permanece até hoje. Após o recente falecimento do Engenheiro Alfredo Rego Barata, D. Maria Eduarda de Rolin de Seabra Pereira Barata, sua viúva, mantém, na Quinta de Cima, a sua residência.
Um dos períodos áureos da Quinta de Cima e da freguesia de Chão de Couce decorreu quando, naquela, habitaram os seus proprietários, Ler. Alberto Rego e Sra. D. Elvíra. Resumindo a vivência cultural de que a casa foi palco, o Professor da Casa. Pia de Lisboa, de visita a Chão de Couce, proferiu uma conferência sobre o "Cristianismo Integral”, em que afirmava: "a Quinta de Cima é bem a corte da Vila".

Efectivamente, ali se sucediam os saraus musicais e artísticos, sempre de elevado nível, que contaram com a presença dos mais insignes artistas nacionais. As conferências eram também uma constante, forma quase única de colmatar a ausência de centros culturais, trazendo a debate temas muito pertinentes e de extrema importância para aquela época.

Nomes sonantes da Música (Ferrando Cabral, Helena, Moreira de Sá e Costa e sua irmã, Madalena Moreira de Sã e Costa, Elisa Baptista de Sousa Pedroso, Rui Coelho, Sílvia Leão, Maria Carlota Tinoco, António Lima, Henri Mouton, Engenheiro Carlos de Beires Fernandes, António Menano, Maria Amélia Duarte de Almeida e Maestro Fernando Lopes Graça), da Pintura (José Malhoa, Carlos Reis, João Reis e Domingos Rebelo), da Ciência (Professor Egas Moniz, primeiro Prémio Nobel português e o Dr. Eduardo Coelho), das Letras (Afonso Lopes Vieira, Domitilia de Carvalho, Hernâni Monteiro, Maria Amália Vaz de Carvalho e Raul Proença) e da Igreja (Padre Américo).

 

Pelourinho

O Pelourinho, como se sabe é o símbolo da autonomia administrativa de um concelho. No passado, esse monumento, era a marca material do poder local, junto do qual eram executadas as sentenças da Justiça.

Como o antigo Pelourinho de Chão de Couce, com o decorrer dos séculos, acabou por desaparecer, o Pároco que mais tempo serviu a Paróquia de Chão de Couce (durante 54 anos), e que também foi Presidente da Câmara de Ansião, por mais de uma vez, resolveu tomar a iniciativa de mandar proceder à construção de um novo Pelourinho para Chão de Couce, em 1949, cujo projecto é da auditoria do Eng. Mário de Abreu.

O atual pelourinho lavrado em pedra da Serra de Ansiãp, foi inaugurado no dia 26 de Julho de 1949. Uma base quadrangular, de três degraus sobrepostos que vão diminuindo de área à medida que sobem, suporta uma coluna de arestas, na qual se vêem o brasão nacional, encimada pela esfera armilar e pela cruz de cristo, símbolos utilizados na arte manuelina – sem dúvida uma referência ao Rei D. Manuel, que concedeu nova Carta de Foral à vila de Chão de Couce no dia 12 de Novembro de 1514.

 

Património Civil

Do património arquitectónico civil, destacam-se as seguintes Casas: a que pertenceu ao Padre Manuel Mendes Gaspar; a da Quinta da Cerca, aquela em que viveu o Dr. João Quintela, no Salgueiral; a do Dr. O. João Pais; a de António Fernandes de Sousa Ribeiro, na Pedra do Ouro; a de José Bernardo, no Largo de D. Elvira Rego, em frente ao Pelourinho; a da Quinta da Rosa; e a de Professor EIisio Mendes de Oliveira, em Chão de Couce.

 

Fontes e Lavadouros

Antigamente a distribuição de água potável aos vários lugares de Chão de Couce era um grande problema difícil e caro de resolver, tal como em todo o concelho. Atualmente, todas as casas já têm água canalizada, potável e controlada para que não haja assim problemas de saúde tanto humana como animais. Até ao 25 de Abril, a água era abastecida através de fontes públicas, sendo os custos suportados pelos benfeitores mais endinheirados de Chão de Couce ou emigrantes bem sucedidos no Brasil que nunca esqueceram as suas raízes.

Noutros casos foram necessárias as populações unirem-se e pressionarem o poder municipal a resolver essa necessidade básica da população. Assim aconteceu no caso da Pedra do Ouro, no ano de 1934. No dia 15 de Novembro desse ano, quando a Comissão Administrativa da Câmara de Ansião se encontrava reunida, sob a presidência do Dr. Adriano Rego, compareceram vários habitantes daquele e de outros lugares mais próximos, no qual seguia o Padre Manuel Gaspar Furtado, pedindo assim o fornecimento de água potável. Assim sendo a Comissão Administrativa aceitou fazer dentro de um prazo possível.

Na Pedra do Ouro passado uns anos apareceu a sua fonte pública graças aos seus habitantes, à Câmara e a António Fernandes de Sousa Ribeiro. No caso da Ameixieira, os habitantes, acompanhados pelos habitantes de Ribeirinho, Casal Soeiros e Lagoa, deslocaram-se à Câmara no Verão de 1935, parra pedir a construção de um poço, na Ameixieira, com o intuito de terem água potável onde se pudessem abastecer.

Pouco tempo depois seria feito o poço da Ameixieira, em 1935, onde se gastou 2.659$00. Em Chão de Couce a mais antiga situava-se nas proximidades do Adro da Igreja, onde se geravam grandes conversas.Essa fonte localiza-se precisamente onde se encontra atualmente a Casa Paroquial. Para a substituir foi mais tarde feita outra Fonte, localizada na estrada dos Portelanos e num dos acesos ao adro. No entanto ainda estão ativas as fontes da Furadouro, Fonte do Cano, as duas de Chão de Couce, Serradinhos e o “Poço da Ameixieira”.

 

A Ponte Da Estrada Real

Por aqui passava uma variante à antiga “Estrada de Coimbrã”, da qual ainda existe vestígios nas proximidades do Pontão, um dos quais é uma ponte, que, embora um pouco deteriorada, apresenta ainda características de grande antiguidade, pelo que apresenta a pedra de que é feito o arco, parece pertencer a Idade Média.

É provável que o mais antigo monumento da freguesia de Chão de Couce e que se salvou até hoje, pois nunca esteve sujeito a trânsito automóvel, dando assim a transparência da principal estrada que fez ligação entre Tomar a Coimbra, há muitos anos, talvez no principio do seculo XX, sendo assim esta ponte ficou inativa nas últimasdécadas. Dada a sua antiguidade, valia a pena ser classificada e conservada pelo seu valor histórico.

Sobre ela passaram o exército castelhano e português nas contendas da Crise de 1383/1385. Por ela passaram reis, rainhas e príncipes e por último o exército ibérico no contexto das Guerras da Restauração mais uma vez, aquando as invasões francesas e das Guerras Liberais, no século XIX.

Por estas e outras razões, visite a Freguesia de Chão de Couce, somos um povo que sabe acolher bem quem nos visita.

 

Inauguração da atual Junta de Freguesia

O dia 29 de Dezembro de 1996 foi para Chão de Couce um dia que a povoação nunca mais esquece — foi a concretização de um sonho de mais de meio século, a inauguração do Edifício-sede da Junta de Freguesia. Para provar que o sonho era antigo, basta lembrar a notícia dada por O Mensageiro, de 6 de Janeiro de 1949, quando o Presidente da Junta de Freguesia de Chão de Couce era o farmacêutico José Augusto Lopes do Rego.

Aí, o correspondente de Chão de Couce, dizia expressamente que já se encontrava concluído o projecto para o Edifício Público (faltava apenas submetê-lo à aprovação do Estado), onde seriam instalados os seguintes serviços: Museu, Biblioteca, Correio, Junta de Freguesia e Posto Médico. A ideia de que seria um edifício polivalente estava certa. O tempo de espera é que certamente não estava nas previsões daquele correspondente, que, muito provavelmente, já não assistiu ao acto inaugurativo do referido edifício.

Quem presidiu à sua inauguração foi o Governador Civil de Leiria, Carlos André, que disse ser a primeira vez que vinha a Chão de Couce. Mas não seria a última. A concretização deste sonho dos autarcas de Chão de Couce iniciou-se cerca de 16 anos antes, com a aquisição das antigas instalações da "Garagem do Alves".

O projecto foi da autoria de Arlindo Miguel, e o edifício, depois de concluído, representou um investimento de cerca de 30 mil contos. O novo edifício-sede da Junta de Freguesia de Chão de Couce divide-se em três pisos que totalizam cerca de 600 m2. A cave tem à volta de 100 m2 é ampla e poderá ter diversas utilizações.

No rés-do-chão estão instalados os serviços do Posto dos Correios (da responsabilidade da Junta), um balcão da Caixa de Crédito Agrícola Serras de Ansião e Café/ Bar servidos autonomamente. No interior funcionam as secretarias da Junta e da Casa do Povo e sanitários.

No 1.º Piso está instalado o Pólo da Biblioteca Pública, que tem anexa a Biblioteca D. João Pais, constituída pelo magnífico espólio legado pelo titular à Junta de Freguesia. Tem ainda um amplo salão, sala de reuniões (destinada às sessões da Assembleia de Freguesia e a outras reuniões ou conferências),Gabinete do Presidente e sanitários.
No dia da inauguração, presenciada pelas principais personalidades políticas, militares e religiosas da freguesia e do concelho, por jornalistas e por algum público, o Presidente da Junta, Mário de Carvalho, era um homem realizado, por ver, finalmente, o sonho de tantos anos concretizado.

No seu discurso, afirmou a certa altura o seguinte: «A obra que hoje inauguramos reflecte o trabalho, o empenhamento e a vontade dos autarcas locais em dignificar a sua terra, apostando na melhoria das condições físicas da Junta de Freguesia e na instalação de serviços de utilidade pública, constituindo um contributo importante para o desenvolvimento de Chão de Couce».

 

Instituições de Apoio à 3ª Idade

Numa localidade com todas as características demográficas típicas da interioridade, onde o grupo dos mais idosos tem tendência a crescer cada vez mais, são muito necessárias instituições vocacionadas para o apoio à Terceira Idade.

Desde 1992, Chão de Couce tem uma das melhores instituições deste tipo, em todo o cocelho e na região – a Fundação D. Fernanda Marques.

Fundação D. Fernanda Marques uma obra de bem-estar para a sua terra, foi o sonho que um dia teve o casal constituído pelo Sr. Américo Simões Santo e a sua Esposa, Srª D.Deolinda Fernanda Marques, residente em Cascais, mas natural de Chão de Couce, em cuja igreja se realizou o seu casamento, no dia 6 de Novembro de 1955.

No dia 2 de Janeiro de 1990, seriam aprovados os Estatutos da nova Fundação, que, a 26 de Dezembro do mesmo ano, seria reconhecimentos como Instituição Particular de Solidariedade Socia, e, em Abril de 1991, começava a levantar-se bem no centro de Chão de Couce.

Trata-se de um imponente edifício, bem enquadrado no meio envolvente, cujo projeto é da auditoria do Arquitecto Raúl Marques e do Engº Agostinho Marques da Silva, e cujo custo, inteiramente suportado pelo Sr. Américo Simões Santo, se aproximou dos 120 mil contos. Com dois amplos pisos, o edificio da Fundação D. Fernanda Marques ficou concluído em meados de 1992, tendo sido inaugurado no dia 17 de Maio de 1992, com a presença do Ministro da Saúde, Dr. Arlindo de Carvalho. Além de todas as divisões que são habituais nestegénero de instituições, devidamente mobiladas, a fundação D. Fernanda Marques tem também um pequeno templo privativo, a Capela da Senhora da Saúde, onde regularmente é celebrada Missa, a que podem assistir os utentes que o desejem.

A Fundação D.Fernanda Marques dispõe de três carrinhas para o serviço de transporte de refeições fornecidas ao domicílio e das equipas que fazem a higiene das casas e das roupas dos utentes do Apoio Domiciliário.

Desde o início, a Fundação D. Fernanda Marques contou com três valências: Lar de idosos, Centro de Dia e Apoio Domiciliário. No no 2000, os utentes destas valências eram os seguintes: 45 no Lar de Idosos, 10 no Centro de Dia e 45 apoiados no domicílio. Os funcionários são 24, mais uma Assistente Social.

Sem fins lucrativos (no caso de haver saldos positivos os mesmos reverterão a favor de melhorias na Obra), esta Instituição vive, em termos financeiros, dos subsídios concedidos pelo Estado (que finaliza as contas), da comparticipação dos utentes e das suas famílias e ainda da ajuda da Liga de Amigos.

 

Associação de Cultura, Recreio e Beneficência

A nível de atividades a ACRB promoveu diversas iniciativas de carácter cultural, como a realização de conferências, espetáculos musicais e de variedade, sarau, teatro, e, mais importante que isso, revelou-se mesmo uma Instituição criadora de cultura, sobretudo, no campo da dança, do canto e da música, ao fazer rejuvenescer o Orfeão e ter criado o seu Rancho Folclórico.

A Direcção da ACRB, logo numa das suas primeiras sessões (26.07.1941) leliberou organizar um rancho folclórico, de que ficaram encarregues os Senhores Dr. D. João Pais e Francisco Fernandes de Oliveira. O Rancho teve algum êxito e durou até, pelo menos, meados da década de sessenta, tendo-se deslocado, com assinalável brilho, a várias terras da região, nomeadamente a Maçãs de D. Maria, Avelar e Penela.

Além do Rancho e do Orfeão,outra importante valência da Associação têm sido os espetáculos musicais que promoveu e vem promovendo nos últimos anos, com a realização regular dos Festivais da Canção Jovem, que são já uma importante referência que extravasou largamente os limites da freguesia e do concelho, sendo apoiada anulmente por várias entidades e instituições locais e nacionais.

Ping-pong, cartas, jogos de damas, quino (loto), dominó, xadrez e bilhar foram alguns dos jogos que os sócios tiveram à sua disposição na sede da ACRB. Também foi possível a audição de música através de um antigo aparelho de TSF – o rádio era de marca "Welco", custou 1.570$00 e só podia funcionar quando estivesse presente algum membro da direcção.

Os bailes foram uma outra forma de convívio bastante frequente na sede da Associação, tanto nas instalações arrendadas como nas atuais. Por vezes trouxeram alguns dissabores, como é costume neste tipo de eventos, mas, regra geral, representaram uma boa forma de diversão, sobretudo para as camadas mais jovens da população de Chão de Couce e dos arredores.

Em conclusão, a Associação de Cultura, Recreio e Beneficência de Chão de Couce foi uma execelênte iniciativa dos notáveis de Chão de Couce de há 76 anos atrás. A melhor forma de continuar a honrar aqueles que tudo fizeram para que a Associação fosse um espaço exemplar de convívio, cultura, recreio e apoio solidário, é manter viva essa chama de associativismo, verdadeiramente ímpar,existinto nos dias de hoje atividades para pessoas de todas a faixas etárias.

 

Cultura e Desporto

Terra culturalmente rica com um fervilhante espírito associativo, fez surgir aqui várias colectividades ao longo dos tempos, onde as populações se foram organizando em associações ou colectividades, perseguindo finalidades e objectivos bastante diversificados, sempre a elevar a sua cultura e o bem estar social, onde com muita competência e orgulho, efectuam um excelente trabalho de promoção dos valores e talentos da sua terra natal, assim como a recuperação, preservação e divulgação da cultura rural ancestral. São disso exemplo as várias de colectividades/Associações pertencentes à Freguesia, nomeadamente a Associação Cultural e Recreativa Margaridas da Serra, a Associação de Cultura, Recreio e Beneficência de Chão de Couce e o Lusitano Ginásio de Chão de Couce, todos eles contando com o apoio da Junta de Freguesia na promoção cultural da terra. Um polidesportivo e um campo de futebol de onze com relva sintética oferecem exclentes condições para a prática desportiva. Cabe ao Lusitano Ginásio de Chão de Couce promover o desporto na terra, onde jogar por amor à camisola e transportar tudo isso num clima de verdadeiro ambiente hospitaleiro são alguns dos trunfos que mantêm bem viva a chama destas Associações. Também a etnografia tem representatividade nesta Freguesia, onde o Grupo Folclórico Margaridas de Serra se tem preocupado em preservar os usos e costumes desta Terra, com um vasto repertório, fruto de uma recolha efectuada sobre danças, cantares e trajes, os vão apresentando nas suas permanentes representações.

Um fervilhante espírito associativista fez surgir na Freguesia de Chão de Couce, ao longo dos tempos, numerosas colectividades, que, com muita competência e orgulho, efectuaram um excelente trabalho de promoção dos valores e talentos da sua terra natal. Aqui se referem algumas das que mais marcaram o desenvolvimento de Chão de Couce:

O Grupo Dramático Recreio e Beneficência de Pedra de Ouro surgiram em finais da década de 1940, no referido lugar. Por iniciativa do Sr. João Ferreira (natural da Batalha, aqui residente por motivos profissionais), mais conhecido por "Barbosa", reuniu-se um grupo de homens e mulheres que levou a cena diversas peças de teatro, com excelente recepção por parte do público.

Mais tarde, a partir do mesmo núcleo de pessoas, nasceu um Rancho Folclórico, que era ensaiado pelos senhores Barbosa, Abílio Mendes e António Pires. Nas décadas de 1960 e 1970, existiu o Grupo Cénico de Chão de Couce, que trouxe um bom desenvolvimento à arte da representação, nesta Freguesia, e que apresentou espectáculos de bastante qualidade.

A ideia de fundar o Orfeão de Chão de Couce nasceu na década de 30 do século XX, mais concretamente no contexto da festa de inauguração do Retábulo de Nossa Senhora da Consolação, da autoria de José Malhoa, na Igrejas de Chão de Couce, a 10 de Setembro de 1933. Perante a reacção à curta composição de Beethoven, interpretada por D. Elvira Rego, Dr. F. João Pais e Dr. Alberto Rego, respectivamente em órgão, violino e violoncelo, decidiu-se criar um Orfeão, para tornar mais frequente aquela manifestação cultural em Chão de Couce.

No dia 3 de Fevereiro de 1935, ocorreu a ansiada estreia do Orfeão, na Quinta de Cima, formado por um largo conjunto de rapazes e raparigas, e por uma tocata composta de viola, banjo, guitarra, ferrinhos e flauta. Para além de ternas como "0 Fado da Academia", "Auto da Morfina Mendes" e "O Vento de Outono", o Orfeão efectuava números de "Variedades", em que os seus elementos trajavam a preceito e recriavam interessantes cenas da vida rural, nomeadamente "As Leiteirinhas", "As Padeirinhas e os papo-secos", "A Desfolhada., e "Os Trouxas ".

Apesar de oscilar entre momentos altos e baixos, o Orfeão subsistiu até à segunda metade da década de 60, quando se iniciou um processo de decadência irreversível, que culminou com o seu desaparecimento. No domínio da Música, foram importantes, a antiga Filarmónica de Chão de Couce e do Avelar, que ara ensaiada pelo mestre João Alves Moreira, residente em Coimbra; e a Tuna do Avelar, fundada em 7 de Novembro de 1915.

O Grupo dos Onze (foram onze os seus fundadores) dedicava-se a saraus culturais, passeios e banquetes, em que participavam, os seus membros, embora tenha feitos prova, ter, diversas ocasiões, de interesses humanitários e patrióticos. Parte do núcleo fundador deste grupo colaborara no jornal O cavador e fizera parte da Associação Republicana.

O Agrupamento de Escuteiros de Chão de Couce, fundado em Outubro de 1974, funcionou durante cerca de meio ano, graças à dedicação de Professor Manuel Augusto Dias (autor da obra Chão de Couce - Estudo Monográfico, editado em 2001), de um seu amigo do Alqueidão, Sérgio Nunes e do Padre Adriano Simões Santo.

As reuniões decorriam ao fim-de-semana, numa das salas de antigo edifício da Escola de Chão de Couce, onde posteriormente se instalou a Posto Clínico. Entre as suas actividades, merecem destaque a realização de algumas pistas na Freguesia; as saídas de campo, nomeadamente, à Serra da Nexebra; e o acampamento efectuado, nos dias 23 e 24 de Dezembro de 1974, na zona da Bairrada, freguesia de Pousaflores.

O grupo extinguiu-se em Maio de 1975 e a única tentativa de reanimação, levada a cabe em1988, revelou-se efémera.

Actualmente, a responsabilidade de manter viva a bem sucedida tradição associativista desta Freguesia recai sobre a Associação de Cultura, Recreio e Beneficência de Chão de Conte; o Lusitano Ginásio de Chão de Couce e a Associação Cultural e Recreativa “Margaridas da Serras".

A Associação de Cultura, Recreio e Beneficência de Chão de Couce foi instituída no dia 15 de Abril de 1941, com o objectivo de ajudar os mais desfavorecidos e contribuir para a promoção da cultura e de lazer. A música, a beneficência (organização de uma colónia balnear; gratuitidade das consultas médicas para os filhos dos associados, em idade escolar; concessão pontual de subsídios em dinheiro a famílias carenciadas) e o desporto, suas principais áreas de acção, tiveram um desenvolvimento até então inimaginável.

A Associação foi também palco de interessantíssimos debates e reflexões, apresentando muitas conferências dedicadas a temas contemporâneos de interesse de toda a comunidade local.

No aspecto lúdico, os sócios encontravam diversos jogos à sua disposição na sede da colectividade, nomeadamente, pingue-pongue, cartas, damas, quino (lota), domine, xadrez e bilhar, entre outros.

Actualmente, esta Associação continua a ser um espaço de convívio, cultura, recreio, que honra todos aqueles que estiveram envolvidos na sua fundação, há cerca de 60 anos.

O Lusitano Ginásio Clube de Pedra do Ouro, fundado em 1958, germinou graças a um grupo de jovens que, poucos anos antes, começou a reunir-se, ao domingo, com alguma regularidade, na Pedra de Ouro, para praticar futebol, um desporto que começava a conquistar grande popularidade na região.

Os treinos decorreram, durante muito tempo, num terreno em Relvas, que ficou conhecido como Campo de Futebol do Carvalhal de Manuel Rosa. Depois de várias tentativas frustradas, o Clube logrou envergar o seu primeiro equipamento, em segunda mão, cedido generosamente por um natural da Freguesia, a Sr. Alberto Faustino, Director do Lusitano de Évora.

A ideia de transferir o Clube para a sede da Freguesia não foi acolhida pacificamente, mas o então Pároco, Padre Manuel Gaspar Furtado, geriu o conflito e conseguiu consensualmente alterar o nome do Clube para Lusitano Ginásio de Chão de Couce e a localização do mesmo. No entanto, começaram tempos de algum esmorecimento.

Com a chegada de Padre Adriano Simões Santo a Chão de Couce, a colectividade conheceu novo dinamismo, com a edificação de um novo campo de jogos, no Salgueiral (24 de Setembro de 1967), e respectivos Balneários.

Em 1979, o Lusitano ginásio integrou-se na Associação de Cultura, Recreio e Beneficência de Chão de Couce, onde se manteve até 1993. No dia 25 de Julho de 1999, ocorreu a inauguração da nova Sede da Colectividade.

Em termos de actividade, o Clube logrou passar da 2.ª Divisão Distrital a 1.º Divisão Distrital; na época de 1999/2000, foi promovido à Divisão de Honra da Associação de Futebol de Leiria; que disputou energicamente, na época seguinte, tendo ficado muito próximo da subida à 3.ª Divisão Nacional.

O Grupo "Amanhecer" foi fundado, na Freguesia, no fim de Verão de 1980, e desenvolveu uma série de iniciativas, nos domínios da música (grupo de música ligeira e patrocínio de uma Escola de Música), da teatro (participação no VII Festival - de Teatro Amador do Distrito de Leiria) e da imprensa local (edição de pequena jornal mensal, Palhais, a partir de 1985). Esta colectividade desapareceu cerca de dez anos após a sua fundação.

A Associação Cultural e Recreativa “Margaridas de Serra" surgiu, em meados da década de 1980, na Serra do Mouro. A sua principal valia é o seu Rancho Folclórico, que preserva diversos aspectos da etnografia local, A designação de “Margaridas" ficou a dever-se a grande quantidade de flores daquele tipo que ali surge, na Primavera.

O Grupo tem cerca de meia centena de figurantes, com idades compreendidas entre os 7 e os 70 anos, que se distribuem pelos pares de dança, cantadores e tocata. Esta última compõe-se de três acordeões, um bomba, uma viola, ferrinhos, reco-reco, pandeireta e tréculas.

 

Saúde e Educação

Antiga casa de Saúde de Chão de Couce

Um outro estabelecimento de Saúde, edificado no período do Estado Novo no concelho de Ansião, foi a Casa de Saúde de Chão de Couce. No fim da década de 40, os três médicos residentes em Chão de Couce contribuíram para a concretização desse importante melhoramento.

Foram eles os Drs. João Pais de Almeida e Silva, João Quintela e Alberto Rego. Os primeiros tiveram a iniciativa, o ultimo contribuiu com o edifício, que, em meados de 1950, estava quase concluído, junto ao Pelourinho. A nova Casa de Saúde anunciava-se como uma das melhores, em termos de equipamento médico, pois iria ter Raio X, Ultra Violeta e Radioscopia.

Os mentores do projecto contavam também com a garantia de colaboração do Prof. Dr. Manuel Montezuma de Carvalho, Professor da Universidade de Coimbra, que semelhantemente, se deslocaria a Chão de Couce, para dar todo o apoio possível no serviço operatório e na observação dos doentes.

 

Antiga Cantina Escolar

A antiga cantina Escolar de Chão de Couce foi apoio dado às escolas frequentadas por crianças provenientes de meios mais carênciados, esta cantina foi obra do Comendador, e grande benemérito de todo o concelho, Alberto Mendes Rosa. Em 1954, quando visitou a sua terra Natal, ofereceu para a fundação da Cantina Escolar a avultada quantia de 250 mil escudos (1246.99 euros).

Três anos depois, mais concretamente no dia 3 de Agosto de 1957, dia em que receberia as insígnias de Comendador da Ordem de Benemerência, visitou a linda Cantina Escolar que maravilhou todos os presentes, pelo que significava para todas as crianças que ali poderiam tomar refeições em vez do tradicional "farnel" sempre demasiado frugal, para as crianças daquela idade. A Cantina Escolar foi transformada em pré escola tendo a duração de 28 anos. Nos dias de hoje este edificio é usado como Casa Mortuária.

 

Atual Centro de saúde de Chão de Couce

Quatro anos após a "Revolução dos Cravos", ou seja em 1978, foram feitas obras de adaptação numa antiga escola primária de Chão de Couce, situada frente à Igreja Paroquial, para aí ser instalado o Posto Clínico de Chão de Couce.

Passado cerca de 20 anos, as instalações do Posto Clínico apresentavam-se bastante deterioradas, devido à antiguidade e às infiltrações de água. Informado da situação, o serviço Sub-Regional de Saúde de Leiria disponibilizou uma verba de 10 mil contos para a remodelação do antigo Posto Clínico.

No entanto, a Junta Freguesia local, levantou, na Assembleia de Freguesia, o problema da construção de um novo edifício que fosse destinado, de raiz, à saúde, devidamente apetrechado, que pudesse receber condignamente os milhares de utentes e dar boas condições de trabalho ao pessoal médico e auxiliar.

Depois de alguma polémica, venceu a proposta da Junta de Freguesia, que recolheu o apoio da Câmara Municipal de Ansião e da Sub-Região de Saúde de Leiria, e, por isso, foi assinado, no dia 4 de Março do ano 2000, um protocolo, o Presidente da Junta de Freguesia de Chão de Couce.

O novo Centro de Saúde de Chão de Couce, situa-se na Rua da Ramalha, e, no inicio da sua construção, com a colaboração da Sub-Região de Saúde de Leiria, que concedeu um subsídio de 10 mil contos para o efeito, e sobretudo, com a boa vontade da Junta de Freguesia que foi quem teve a iniciativa, e sobre cujos ombros caiu a responsabilidade de gerir as obras que, finalmente, chegaram ao fim.

A inauguração ocorreu no dia 28 de Julho de 2001 com a presença das entidades cooperantes, de muito povo e da Secretária de Estado Adjunta do Ministro da Saúde Carmen Pignatelli, que foi quem presidiu.

Para trazer uma maior comodidade aos utentes, evitando deslocações necessárias a outro local a fim de aviarem as suas receitas médicas, e para ser instalada em melhores condições, foi transferida para próximo do novo Centro de Saúde a antiga Farmácia Rego, sendo assim a actual Farmácia Reis Freire.

 

O centro de Bem-Estar social

O Centro Paroquial de Chão de Couce foi transformado em Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), em meados da década de 1980, passando a denominar-se Centro de Bem-Estar Social de Chão de Couce, cabendo a sua Direcção ao respectivo Pároco, actualmente, o Padre Manuel Martins.

Nessa altura contava com mais de 50 crianças (das freguesias de Chão de Couce, Maçãs de D.Maria e Aguda), tinha 8 funcionários (uma educadora de infância, duas vigilantes de educação, uma cozinheira, duas empregadas auxiliares, uma escrituraria e um motorista) e despesas anuais no valor de 3 mil contos.

Actualmente, o Centro de Bem-Estar Social de Chão de Couce, nas suas duas valências, Creche e Jardim de Infância, tem cerca de 80 crianças, não só de Chão de Couce, mas também da vizinha freguesia de Maçãs de D. Maria e dos Cabaços (do concelho de Alvaiázere).

As crianças almoçam e lancham no Jardim e são provenientes de famílias pobres, que nada ou pouco pagam. A instituição viveu de donativos de várias entidades e benfeitores, mas actualmente depende sobretudo dos subsídios do Estado (através da Segurança Social) e dos pagamentos dos pais, calculados de acordo com os seus rendimentos.

Criado em 1972 pelo Padre Adriano Santo, ao tempo pároco desta freguesia, para dar apoio a crianças na idade pré-escolar, teve, e tem, como berço o Centro Paroquial, cujas instalações são nesta altura insuficientes. Das 13 crianças iniciais passou para as oito dezenas, que são as que ali se encontram actualmente, cujas idades vão dos 3 meses aos cinco anos, e, dizem-nos, mais teria se houvesse espaço para as acolher.

A acção social é um direito inegável do cidadão. Este deve ser alvo de um acompanhamento eficaz, de forma a viver de forma digna e segura. Consciente dessa responsabilidade, a Freguesia de Chão de Couce sempre amparou os seus habitantes, sendo o apoio social da Freguesia prestado por instituições devidamente certificadas para o efeito, nomeadamente o Centro de Bem-Estar Social de Chão de Couce, instituída no dia 15 de Abril de 1941, com o objectivo de ajudar os mais desfavorecidos e contribuir para a promoção da cultura e de lazer, a Fundação Fernanda Marques, com origem numa decisão de dois naturais de Chão de Couce tendo sido inaugurado sob a presidência do Ministro da Saúde de então Dr. Arlindo de Carvalho. Actualmente tem três valências: Lar de Idosos, Centro de Dia e Apoio Domiciliário.

No que respeita à saúde, uma extensão de saúde tem aqui lugar, a extensão de saúde de Chão de Couce, prestando os cuidados básicos e primários á população, sendo que em casos de maior gravidade, os habitantes deslocam-se ao Centro Hospitalar de Coimbra (Covões), Hospital de Pombal e ao Centro de Saúde de Ansião. De realçar que se encontra uma farmácia disponível nesta Freguesia, para quem tenha necessidade de usufruir deste serviço. Estão também ao dispor da população duas clínicas privadas.

A educação é o futuro de qualquer civilização. Nela reside a chave do saber e da cidadania. Assim sendo, desde os primeiros rabiscos até aos mais solidificados conhecimentos, as crianças aprendem em infra-estruturas que são o fruto da preocupação de cultivar a educação.

A Freguesia de Chão de Couce está munida de duas escolas, a Escola EB 1 de Chão de Couce e a Escola EB1 de Pedra do Ouro, durante o ano lectivo 2011/2012, serão substituídas pelo novo Centro Escolar, construído junto à Zona de Lazer. Para prosseguirem os seus estudos, os alunos deslocam-se para Ansião e Avelar. Está também esta Freguesia equipada com um Jardim-de-infância, na sede de Freguesia.

Publicado por: Freguesia de Chão de Couce

Última atualização: 17-01-2026

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