Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição

Dados do Património
Nome: Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição

A actual Igreja de Chão de Couce foi construída no local do primitivo templo católico (que tinha a tradicional direcção Este-Oeste, ao passo que a nova tem uma orientação quase Norte-Sul), considerado, nas primeiras décadas do século XX, demasiado pequeno para conseguir receber, em condições aceitáveis, todos os paroquianos. A iniciativa da sua construção partiu do respectivo Pároco, Padre Manuel Mendes Gaspar, que conseguiu agregar a esse projecto toda a comunidade paroquial, tendo sido o novo templo inaugurado, segundo a imprensa da época, no dia 23 de Novembro de 1930. 
 
A nova Igreja ficou, durante cerca de duas décadas, com a antiga Torre, exactamente do lado contrário àquele em que hoje se encontra. Essa Torre havia sido projectada e dirigida a sua construção pelo Dr. Augusto da Costa Rego, quando ainda era aluno da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.
 
A actual Torre foi construída na década de 1950. Trata-se de um projecto do Eng.º Augusto Santa Rita que, para o efeito, esteve em Chão de Couce no dia 8 de Janeiro de 1949. A sua construção, já na década de 1950, só foi possível graças à generosa contribuição monetária do Comendador Alberto Mendes Rosa.
 
De interesse nesta Igreja, e para além das muitas imagens que se podem ver nos seus altares (algumas delas muito antigas, designadamente as esculturas em pedra da padroeira e de Santo André – que se supõe serem quinhentistas), são também os azulejos da nave, capela-mor e fachada principal, da autoria de Mário Reis – ceramista, discí­pulo de Columbano, trabalhou para as Exposições do Mundo Por­tuguês de 1940 e Hispano-Ibérica, Ministério da Educação e Casa Oficial do Presidente do Conselho de Ministros, sendo “medalha de ouro” pelos trabalhos de pintura de azulejos.
 
Tem quatro altares laterais, com imagens contemporâneas, e dois colaterais, sendo de maior importância o que tem a imagem de Santo Antão (patrono da vida monástica com um livro e caveira), do século XVI.
 
 Ao longo dos setenta e oito anos que leva de existência, muitas vezes foi necessário fazer obras de conservação e melhoramento. Há cerca de quinze anos (entre 1993 e 1995) foi construído um salão para reuniões e arranjada a Sacristia, no lado Poente, e, no lado oposto, foram criadas 3 salas de catequese e adaptado um espaço para Capela Funerária, bem como a substituição de todos os telhados, pintura do exterior e novo relógio. Obras que ultrapassaram os 8 mil contos.
 
No ano 2000, para celebrar com mais dignidade o Jubileu, foi a vez de se fazerem grandes obras de restauro no interior do templo: as paredes foram rebocadas de novo e pintadas, os tectos e o soalho substituídos por madeira exótica, os bancos restaurados, feita nova instalação sonora e eléctrica e restaurados todos os altares, tendo sido melhorada a sua talha com pinturas e douramentos de que se encarregou uma prestigiada casa de arte religiosa da cidade de Braga. As obras importaram em mais de 20 mil contos, tendo uma parte (30%) sido suportada por um subsídio estatal. As obras de restauro foram inauguradas no dia 22 de Junho de 2000, pelo então Bispo-Coadjutor de Coimbra, D. Albino Cleto.
 
Mas a jóia mais importante, em termos artísticos, é, sem dúvida, o Retábulo de Nossa Senhora da Consolação, oferecido à Igreja de Chão de Couce pelo seu autor, Mestre José Malhoa.
 
Quase três anos depois da inauguração da Igreja, foi a vez de se inaugurar o Retábulo da Padroeira - N.ª Sr.ª da Consolação (última obra de Malhoa), contava o pintor 78 anos de idade. Aquele dia 10 de Setembro de 1933 foi uma Festa com uma imponência e participação popular absolutamente únicas. Malhoa ficou, para sempre, no coração do povo de Chão de Couce! Foi a última grande Obra de Mestre Malhoa, que, em 2011, perfez 78 anos de existência.